Marathon chega ao mercado como uma das propostas mais ousadas da atual geração. Desenvolvido pela Bungie, o jogo marca o retorno de uma marca clássica sob uma nova identidade, agora totalmente focada em uma experiência PvPvE intensa, punitiva e claramente direcionada a jogadores que gostam de tensão constante. Jogando no PlayStation 5, fica evidente desde os primeiros minutos que Marathon não tenta agradar a todos. Ele escolhe seu público e se mantém fiel a essa escolha, para o bem e para o mal.
Primeiras horas desafiadoras e pouco acolhedoras
As primeiras horas em Marathon são, sem exagero, difíceis. O jogo apresenta seus sistemas de forma pouco didática, jogando o jogador em um mundo hostil onde quase tudo pode dar errado em segundos. No PS5, mesmo com desempenho sólido e carregamentos rápidos, a sensação inicial é de confusão. Itens, contratos, mapas, facções e interfaces surgem rapidamente, exigindo atenção e paciência. É um começo que pode afastar jogadores mais casuais, mas que também funciona como um filtro natural para quem está disposto a aprender suas regras. Tau Ceti IV é um ambiente que transmite perigo o tempo todo. A ambientação consegue unir abandono, decadência tecnológica e uma ameaça constante que nunca se manifesta de forma óbvia. No PlayStation 5, o áudio 3D reforça essa sensação de insegurança, com passos distantes, disparos ecoando e sons mecânicos dos inimigos artificiais criando um clima quase sufocante. Marathon não utiliza sustos baratos, mas trabalha o medo a partir da antecipação e da incerteza, algo raro em shooters modernos.
Cada partida segue uma lógica clara, mas nunca previsível. Você entra no mapa, define prioridades, coleta recursos, cumpre contratos e tenta sair vivo. A extração não é apenas um objetivo final, mas o momento mais tenso de toda a experiência. No PS5, a estabilidade técnica ajuda a manter o foco total nesse momento crítico, sem quedas de desempenho que poderiam comprometer o controle. Falhar significa perder tudo o que foi conquistado naquela incursão, e essa perda tem peso real. O gunplay é, sem dúvidas, um dos maiores destaques de Marathon. A Bungie demonstra novamente sua experiência em criar armas com identidade, impacto e sensação tátil. No controle DualSense, cada disparo transmite peso, especialmente em armas de energia e rifles mais pesados. O combate é rápido, letal e exige posicionamento inteligente. Não há espaço para erro, principalmente nos primeiros estágios, onde escudos e vida não suportam confrontos prolongados.
Encontros entre jogadores são brutais e estilos de jogo distintos
O PvP em Marathon é agressivo e raramente amistoso. Diferente de outros jogos do gênero, aqui quase todo encontro com outro jogador resulta em confronto direto. Isso transforma cada som em potencial ameaça e torna a exploração extremamente cuidadosa. Jogando solo no PS5, a tensão é ainda maior, já que qualquer erro pode resultar em emboscadas fatais. Em equipe, a comunicação e o posicionamento se tornam fundamentais para sobreviver. O sistema de Shells funciona como uma variação de classes, oferecendo abordagens bem diferentes para cada jogador. Algumas privilegiam furtividade, outras confronto direto e resistência. No PS5, a troca entre Shells é rápida, mas dominar cada uma delas exige tempo e prática. Essa variedade permite que o jogo se mantenha interessante por muitas horas, incentivando experimentação e adaptação conforme o estilo do jogador ou do grupo.
Os mapas disponíveis no lançamento oferecem propostas distintas. Alguns favorecem confrontos mais fechados, enquanto outros apresentam áreas abertas que exigem leitura de terreno e paciência. No PlayStation 5, a distância de visão e a iluminação ajudam na leitura do ambiente, mas não eliminam o risco. Cada mapa possui pontos de interesse disputados, criando zonas de conflito natural que elevam a tensão e estimulam encontros inesperados.
Marathon não incentiva a exploração gratuita. Cada decisão de avançar mais fundo no mapa carrega riscos reais. Recursos valiosos geralmente estão em áreas mais perigosas, muitas vezes cercadas por inimigos controlados pela IA ou outros jogadores. Essa lógica funciona bem e reforça o ciclo de tensão constante. No PS5, a fluidez da navegação pelos mapas contribui para que essas decisões sejam tomadas rapidamente, sem frustração técnica.
Contratos como motor de progressão e interface estilizada que divide opiniões
Os contratos funcionam como missões que orientam o jogador dentro das partidas. Eles oferecem objetivos claros e recompensas relevantes, além de incentivar a exploração de áreas menos óbvias. No entanto, a limitação de carregar apenas um contrato por vez pode gerar frustração, especialmente quando o objetivo é concluído rapidamente. Ainda assim, eles cumprem bem o papel de manter o jogador engajado e com metas claras.
Visualmente, a interface de Marathon é marcante, mas funcionalmente problemática. No PS5, a leitura de informações nem sempre é clara, exigindo tempo excessivo para entender itens, comparações e slots de equipamentos. A identidade visual é forte, mas sacrifica a praticidade em momentos críticos. Para um jogo onde segundos fazem diferença, essa escolha pode prejudicar a experiência, especialmente para novos jogadores.
Vault e gerenciamento de equipamentos
O gerenciamento de inventário é uma parte central do jogo, mas também uma de suas maiores fragilidades. No PlayStation 5, navegar entre menus exige atenção redobrada para evitar erros simples, como mover ou descartar itens importantes. A falta de comparações rápidas entre equipamentos dificulta decisões estratégicas e pode gerar frustração após partidas longas e intensas.Marathon adota um modelo de temporadas com reinício completo de progresso ao final de cada ciclo. Essa decisão equilibra o jogo a longo prazo, evitando que veteranos se tornem inalcançáveis. Por outro lado, pode afastar jogadores mais casuais, que sentem que seu esforço é temporário. No PS5, essa sensação é ainda mais forte para quem joga poucas horas por semana e busca progresso contínuo. A história de Marathon é apresentada de forma indireta, por meio de contratos, diálogos e registros. Não há uma narrativa tradicional guiando o jogador, mas sim fragmentos que despertam curiosidade. Esse formato combina bem com o tom do jogo, reforçando a sensação de isolamento e mistério. No PS5, as cenas introdutórias e vozes são bem produzidas, ajudando a criar personalidade para as facções envolvidas.
O áudio é uma ferramenta essencial em Marathon. No PlayStation 5, o som direcional ajuda a identificar ameaças antes mesmo de vê-las. Passos, disparos distantes e sons ambientais funcionam como pistas constantes. Ignorar o áudio é praticamente uma sentença de morte, especialmente em confrontos contra outros jogadores. Marathon é um jogo sobre aceitar perdas. Morrer faz parte do processo, e perder equipamentos valiosos é inevitável. Essa filosofia pode ser cruel, mas também cria momentos memoráveis. Cada extração bem sucedida traz uma sensação de alívio genuíno, algo raro em jogos modernos. No PS5, essa emoção é amplificada pela estabilidade técnica, que mantém o foco totalmente na experiência.
Mesmo após partidas frustrantes, Marathon consegue provocar aquele desejo de tentar mais uma vez. O loop de jogo é forte, sustentado por combate satisfatório, mapas bem construídos e tensão constante. No PS5, a rapidez para iniciar uma nova partida contribui para esse ciclo viciante, reduzindo o impacto negativo das derrotas. Marathon não é um jogo para sessões rápidas e despretensiosas. Ele exige atenção, aprendizado e dedicação. Jogadores que buscam algo mais relaxante provavelmente não encontrarão aqui o que procuram. No entanto, para quem aprecia desafios intensos e experiências de alto risco, o jogo entrega algo único no cenário atual. Em meio a tantos jogos como serviço, Marathon consegue se destacar por sua identidade clara e proposta consistente. Ele não tenta suavizar sua dificuldade nem simplificar suas mecânicas para agradar a todos. No PlayStation 5, essa identidade é reforçada por uma execução técnica sólida e uma apresentação visual marcante.
Cryo Archive + Ranked é o verdadeiro teste final de Marathon
O modo Cryo Archive representa uma virada clara na proposta de Marathon. Mais do que apenas um novo mapa, ele funciona como uma declaração de intenções da Bungie sobre o que considera ser o verdadeiro endgame do jogo. Diferente das áreas abertas e orgânicas de Tau Ceti IV, Cryo Archive se passa dentro da própria nave UESC Marathon, trocando a sensação de exploração por claustrofobia, pressão constante e desafios estruturados que beiram o território de raids. O Cryo Archive exige preparo, leitura de ambiente e coordenação absoluta.
O modo sai no dia 20 de Março junto com a Ranked a review será atualuzada conforme o lançamento e vou falar mais sobre a ranked também
Marathon é um jogo difícil de recomendar de forma universal, mas extremamente fácil de admirar pelo que se propõe a fazer. No PlayStation 5, ele entrega uma experiência intensa, técnica e emocionalmente exigente. Seus problemas de interface e acessibilidade não apagam a qualidade de seu combate, ambientação e loop principal. É um jogo que recompensa paciência, aprendizado e resiliência.
JOGO VIA CODIGO DIGITAL PARA PS5 CEDIDO GRATUITAMENTE PELA BUNGI, A QUAL EU AGRADEÇO DEMAIS PELA CONFIANÇA
Positivo
• Loop de extração envolvente e recompensador
• Identidade visual e sonora marcante
Post a Comment