Assassin's Creed IV Black Flag Resynced Review


A gente sabe muito bem como a indústria de jogos anda lotada de recriações ultimamente. Algumas empresas dão só aquele banho de loja preguiçoso e cobram o preço cheio, mas de vez em quando a gente esbarra em algo feito com carinho de verdade. Assassin's Creed IV Black Flag Resynced entra com os dois pés na porta nesse segundo grupo. Jogar isso de novo depois de treze anos me fez lembrar na hora o motivo desse título ser considerado um dos melhores jogos de pirata da história. A Ubisoft pegou aquela base genial lá do passado e colocou uma roupagem de nova geração que assusta de tão bonita, provando que um clássico de verdade nunca perde a majestade.

E grande parte dessa majestade vem do próprio Edward Kenway. Ele passa longe daquele estilo de herói santinho e honrado que a gente costuma ver. O cara é um pirata ambicioso e cheio de falhas, que acaba caindo de paraquedas no meio da treta milenar entre Assassinos e Templários só porque estava atrás de ouro. Acompanhar a evolução dele durante a campanha é muito gratificante, porque a gente sente o peso de cada traição e de cada amigo que ele perde pelo caminho. Agora, com expressões faciais muito mais realistas e uma dublagem que continua espetacular, a história de amadurecimento dele bate ainda mais forte na gente.


Um Salto Visual Absurdo


Como alguém que repara muito na questão técnica e nos detalhes de performance, eu vou mandar a real para vocês sobre os gráficos. O motor Anvil fez um verdadeiro milagre aqui. O jogo já era bonito na época dele, mas ver esse Caribe refeito do zero rodando no Xbox Series X é um absurdo de lindo. Eu sou do time que sempre prioriza a taxa de quadros, então joguei cravado nos sessenta FPS pelo modo desempenho. A fluidez que isso traz para o parkour e para as lutas de espada faz a experiência parecer outra. O nível de detalhes na selva e a forma como a luz do sol reflete na água entregam um visual que bate de frente com qualquer lançamento gigante atual.



Esse capricho gráfico vai muito além de texturas bonitas, porque o mundo do jogo parece vivo de um jeito surreal. Sabe quando você está navegando tranquilo e do nada o tempo fecha? As tempestades agora dão um frio na barriga real. A ventania castiga as velas do seu navio, os raios clareiam o céu escuro e o mar fica extremamente agressivo. Até a exploração subaquática ganhou outra cara, com cardumes enormes e tubarões que se movem de um jeito bem ameaçador. Parar o personagem no porto de Havana só para observar os marinheiros cantando e os mercadores negociando debaixo de um sol forte é uma daquelas coisas que te prendem na imersão logo de cara.


A Vida no Mar e as Batalhas Navais


Só que não dá para falar desse jogo sem falar da sua principal estrela, o Gralha. O seu navio não é só um meio de transporte veloz, ele é praticamente a sua casa e o seu maior parceiro. Colocar a tripulação para cantar aquelas músicas clássicas de marinheiro enquanto você corta as ondas do Caribe continua sendo uma sensação sensacional. As batalhas navais eram incríveis e ficaram ainda mais imponentes. A fumaça dos canhões, a madeira estilhaçando e o barulho dos mastros quebrando criam um caos muito divertido de controlar, exigindo bastante raciocínio rápido para saber quando atacar ou quando recuar estrategicamente.

Para deixar tudo ainda melhor, eles colocaram funções de tiro secundário nas armas do navio e trouxeram três novos oficiais que você pode recrutar pelo mapa. Cada um deles tem uma história própria super legal e te garante vantagens reais na hora da trocação de tiros no mar. A Lucy Baldwin, por exemplo, é essencial para segurar o dano na hora que o seu barco vai tomar uma pancada forte. Iniciar a invasão no barco inimigo depois de destruir as defesas dele continua viciante, mesmo que a câmera ainda dê umas pequenas piradas quando tem muita gente lutando amontoada no convés.


Vou confessar que a melhor decisão que a Ubisoft tomou aqui foi jogar fora toda aquela parte moderna da Abstergo. Sinceramente, quase ninguém aguentava ficar passeando naqueles escritórios com um tablet na mão enquanto a verdadeira ação rolava no passado. Em vez disso, eles colocaram umas fendas temporais bem loucas que mostram realidades alternativas do Edward. Isso foi uma sacada de gênio, porque mantém a gente focado no universo dos piratas cem por cento do tempo. A história flui bem melhor sem essas interrupções e a gente não perde o ritmo da aventura em nenhum momento.

É claro que quem é muito fã das antigas vai sentir falta de algumas coisas. O modo multijogador não voltou e a expansão do Adewale também ficou de fora dessa versão. Mas a real é que o jogo base já é tão gigantesco, cheio de tesouros, caçadas e segredos para descobrir, que você nem tem tempo de sentir falta do resto. Uma coisa que eles adicionaram e que eu achei um baita acerto foi o piloto automático para o navio. Marcar um ponto distante no mapa, soltar o controle e ficar só curtindo o visual do Caribe enquanto o barco viaja sozinho é o tipo de conforto moderno que a gente agradece muito.


Veredito 



Assassin's Creed IV Black Flag Resynced acerta em cheio ao modernizar o que precisava sem estragar a alma da obra original. É um trabalho de respeito que eleva o nível de como um remake de mundo aberto deve ser feito hoje em dia. Pequenos bugs visuais ou algumas engasgadas de câmera nas invasões aos navios não chegam nem perto de estragar a experiência fantástica que é reviver essa era de ouro da pirataria. Entrar na pele do Edward Kenway de novo, com gráficos dessa geração e uma jogabilidade extremamente fluida, é o maior presente que os fãs poderiam pedir. Um clássico obrigatório que volta melhor do que nunca.




REVIEW DO JOGO FEITA COM UM CÓDIGO DO JOGO CEDIDA GRATUITAMENTE PELA UBISOFT BRASIL, A QUAL AGRADEÇO.

Desempenho10
Gráficos10
Gameplay9
Trilha Sonora10

Positivo

• Gráficos absurdamente lindos que tiram todo o suco do motor Anvil.
• Combate muito mais dinâmico focado na habilidade e sem níveis confusos.
• O botão de agachar e as melhorias na furtividade mudam o jogo para melhor.

Contra

- Faltou incluir as expansões de história e o multiplayer clássico.

9.0
Nota

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