Rhythm Heaven Groove REVIEW


 

Depois de uma década inteira de espera finalmente podemos comemorar o retorno de uma das franquias mais geniais da Nintendo. O lançamento de Rhythm Heaven Groove para a família Switch acaba com aquele longo jejum que os fãs amargavam desde a época do Megamix. Jogar esse título novo me fez lembrar imediatamente porque eu sou tão apaixonado por jogos musicais e porque essa série mudou o meu gosto pessoal para sempre. É um retorno maravilhoso cheio de humor maluco e uma trilha sonora absurda que vai te prender por horas a fio tentando buscar a pontuação perfeita em cada fase. Para quem sentia falta de uma experiência rítmica pura e muito carismática essa novidade é um prato cheio.

A genialidade do jogo mora justamente nos seus controles que parecem simples mas escondem um desafio formidável. Aqui você não vai encontrar aquela tradicional pista de notas descendo pela tela para te avisar a hora exata de apertar os botões. A jogabilidade exige que você use a audição e sinta a música de verdade combinando toques rápidos ou longos nos botões de face e no direcional. O jogo te enche de pegadinhas visuais como dar um zoom repentino na tela ou colocar algum bicho na frente da câmera apenas para tentar bagunçar o seu cérebro. Você precisa ignorar essas distrações e confiar cegamente nos seus ouvidos para acertar o tempo sonoro perfeito.


Minigames Bizarros e Hilários


A variedade de situações absurdas que você precisa enfrentar nos minigames é o que dá toda a vida e o charme para o pacote. Em um momento você está acelerando um carro esportivo para gravar um vídeo promocional e logo depois precisa participar de uma batalha de rimas com um alienígena ou lançar sapos para o espaço sideral. Tem até um jogo onde você precisa testar um código de programação defeituoso criado por uma garotinha desviando de obstáculos em alta velocidade. Cada pequeno cenário transborda criatividade e as reações exageradas dos personagens quando você erra uma batida são simplesmente hilárias arrancando boas risadas.

Como estamos falando de um jogo musical a trilha sonora precisa ser impecável e aqui a equipe entregou um trabalho monumental. Com o lendário compositor Tsunku de volta no comando as músicas variam entre batidas eletrônicas intensas e riffs de guitarra absurdamente viciantes. O que me deixou mais empolgado foi ver a presença de artistas gigantes como a cantora Ado entregando vocais incríveis e a Yui Sakurai do grupo Fruits Zipper. Todas as músicas grudam na cabeça de um jeito absurdo mas o grande destaque vai para a sincronia perfeita dos efeitos sonoros que transformam cada batida em uma recompensa deliciosa.


A estrutura da campanha solo flui de um jeito muito gostoso e viciante dividindo os desafios em vários estágios temáticos. Você precisa superar quatro minigames diferentes para finalmente desbloquear o grande prêmio de cada mundo que são os famosos Remixes. Nesses momentos o jogo mistura tudo o que você acabou de aprender em uma única música frenética criando uma verdadeira montanha russa interativa de emoções. É na hora do Remix que a dificuldade aumenta de verdade e a sua memória muscular assume o controle total entregando aquela sensação indescritível de satisfação quando você acerta cada movimento no instinto puro.


O Inusitado Modo RPG


Quando você quer dar uma pausa na campanha principal o jogo oferece um modo extra muito inusitado chamado Beatspell que mistura ritmo com elementos clássicos de aventura. Nesse modo você controla um jovem mago que precisa combinar toques no ritmo da música para conjurar feitiços e esvaziar a barra de vida de monstros assustadores. A ideia inicial é super criativa e adiciona uma camada de estratégia muito bacana recompensando a sua precisão com acertos críticos poderosos. O único problema é que ele pode acabar ficando um pouco repetitivo com o passar das horas não alcançando o mesmo brilho insano dos minigames normais. Pela primeira vez na história da franquia nós recebemos um modo multijogador robusto e recheado de opções para até quatro pessoas ao mesmo tempo. São mais de trinta minigames divididos entre competições acirradas e disputas cooperativas que trazem um caos absoluto para a sala de estar. O meu favorito disparado exige que todos os jogadores contem o tempo mentalmente para tentar roubar um doce no milissegundo exato gerando gritos e xingamentos amigáveis quando alguém vence por uma fração de segundo. É a pedida perfeita para jogar com a galera e substituir os tradicionais jogos de tabuleiro nas noites de festa.

Um ponto que me deixou muito feliz foi ver o cuidado da equipe com as opções de acessibilidade desde o primeiro minuto de jogo. Nós somos apresentados a uma personagem muito carismática que funciona como um leitor de tela nativo lendo todos os menus e instruções de forma clara e totalmente personalizável. Como a jogabilidade depende quase inteiramente da audição essa ferramenta torna o título incrivelmente amigável para pessoas com deficiência visual provando que videogames podem ser para todos. A única ressalva fica por conta de alguns efeitos visuais que balançam muito a tela e podem causar certo enjoo em quem tem mais sensibilidade.Navegar por todas essas novidades e reviver a magia que essa série sempre proporcionou foi uma das melhores experiências que eu tive neste ano. O charme absurdo dos personagens somado ao nível de polimento de cada fase faz você querer voltar e jogar tudo novamente apenas para melhorar as suas notas e conseguir as cobiçadas medalhas de ouro. Fica muito evidente que muito amor e talento foram depositados nesse projeto e o resultado final supera quase todas as expectativas que eu tinha criado na minha cabeça durante essa longa década de espera dolorosa.


Veredito Definitivo


Em resumo Rhythm Heaven Groove consolida seu lugar como uma obra prima obrigatória para qualquer dono de Switch que goste de boa música e de dar risadas genuínas. A energia cativante das animações os controles extremamente responsivos e a trilha sonora lotada de estrelas japonesas formam um pacote perfeito e com um preço muito justo e acessível. Mesmo com o modo RPG perdendo um pouco do fôlego na reta final a qualidade estrondosa da campanha principal e a diversão infinita do modo com amigos compensam qualquer pequeno escorregão pelo caminho. É sem dúvidas um dos melhores jogos de dois mil e vinte e seis cravando uma nota nove muito mais do que merecida para a sua coleção.




REVIEW DO JOGO FEITA COM UM CÓDIGO DO JOGO CEDIDA GRATUITAMENTE PELA NINTENDO BRASIL, A QUAL AGRADEÇO.

Desempenho10
Gráficos10
Gameplay9
Trilha Sonora10

Positivo

• Minigames extremamente criativos divertidos e com animações hilárias que esbanjam charme.
• Modo multijogador local robusto e perfeito para disputar e dar risadas com os amigos.
• Opções fantásticas de acessibilidade voltadas para o áudio com um leitor de tela nativo muito útil.

Contra

- A escolha das fontes de texto na interface principal poderia ser muito mais caprichada e menos básica.

8.5
Nota

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